mais preciso hoje, dia 03/05/2012, que tive um daqueles momentos em que dois neurônios se ligam e formam uma considerável boa idéia (digo isso, na minha cabeça). Essa idéia, já afirmo agora bitches, foi antes de eu ter visto o filme vidas cruzadas (the help, pra quem é chic), e confesso que depois de ter assistido ele, apenas me deu mais vontade de concretizar a grande e boa idéia (ainda na minha cabeça).
Cria um blog hoje em dia é tão comum quanto mandar sms. Todo mundo quer se expressar de alguma forma, quer se expor, compartilhar, mostrar uma opinião, e até, ajudar. Bom, aqui estamos nós, ou por enquanto, ainda eu, querendo mostrar algo que já pode ter sido visto em outros blogs. Talvez não seja nenhum pouco original, mas também não é algo tão comum assim. Eu sou um garoto (olá!), comum, que viaja, gosta de praia, ler, sair com os amigos, provocar vexame com bebida, ou rir do vexame dos outros, beijar, ficar, rir, enfim, como qualquer outro garoto, porém com uma exceção. Eu gosto de garotos. Beleza, hoje em dia não é tão incomum também. Quem não gosta, certo? Fora os caras heteros, o resto do mundo gosta, não é?
Acho que o melhor jeito de poder explicar qual o objetivo que estamos criando esse blog é mostrar que vocês não estão sozinhos, little monsters. A idéia é querer mostrar um espaço em que a juventude gay é divertida, emocionante, e por mais que eu odeie, muito dramática. Todo gay tem uma Paola Bracho dentro de si. No momento em que menos se espera, ela se evoca como se fosse uma pomba-gira. Mas enfim, voltando ao objetivo, o que a gente tá querendo trazer para esse blog é um conjunto de experiências de um grupo de jovens gays que estão vivendo a vida, da forma mais positiva. Queremos trazer nossas aventuras, fiascos e dramas pra cá, sem deixar de ser divertir! Mas mais que isso, queremos mostrar para aqueles que se sentem sozinhos, que tiveram um dia ruim, que esse dia passa, que sempre tudo pode mudar pra melhor, e, que, aqui, você tá entre amigos.
Como meu primeiro post, nada melhor que começar a conhecer melhor um deles. Podem me chamar de Darcy. Tirem suas excêntricas conclusões de porque esse nome, não é difícil. Eu não me lembro do primeiro momento em que senti atração por garotos. Segundo a lenda, nasce com a gente. Enfim, eu sei que sinto isso desde que me lembro por gente. Até os 15 anos, isso nunca me afetou conscientemente. Não é algo que eu pensava.
Com 16, 17 anos, eu sentia que havia algo diferente. Sim, gente, eu não era precoce, haha. A adolescência nunca é fácil nessa idade. Os famosos hormônios correndo no sangue. O tesão sempre presente por qualquer motivo. Mas a adolescência fica uma pitada mais difícil quando se é gay. Os outros integrantes poderão falar mais sobre isso, porque eu não tive experiências gays até meus 22 anos. Sim, sim, sim, salabin. Mas voltando a adolescência, eu tive os dramas de achar que gostava de gurias, mas sempre culpei minha timidez por nunca ter tiro coragem de chegar nelas. Eu era um gay tímido. Mais que isso, a catástrofe eram as espinhas e o aparelho. Posso dizer que minha adolescência foi feia em vários sentidos. Era muito desajeitado também, do tipo que bate a cabeça em portas ou derruba copos que nem sabiam que estavam na sua mão. Sim, eu quase afirmo que meus braços e pernas cresceram mais rápido do que eu estava capacitado. Mas vai um final feliz para quem está passando por esse momento: só dura quatro anos isso, mais ou menos, pode ficar tranquilo. Quando chegar aos 20 anos, as espinhas começam a sumir, o aparelho você vai tirar algum dia da sua vida, mesmo que leve anos, e pense, vai ter um sorriso infalível, e seus braços e pernas vão ficar compatíveis com o resto do seu corpo.
Passada a adolescência, que, pra mim, foi um pouco entediante, o que é raro nesses dias, eu cheguei nos meus 20 anos, que na minha opinião, foi o início de uma mudança drástica na minha vida. Eu comecei a pensar em garoto muito forte. Era algo que transbordava na minha mente. Eu me proibia de ficar observando os caras quando alguém tava do meu lado. Vai que essa pessoa visse isso, né? Mas enfim, essa vontade começou a crescer e eu fiz um msn somente para falar com caras do chat. Famoso chat, haha. Levou 6 meses para eu sair com o primeiro cara. O medo era maior que a curiosidade e, apesar de hoje em dia eu não saber porque tinha medo que alguém descobrisse, já que meu amigo loco falou que já sabia faz tempo (obrigado, por sinal, por falar 7 anos depois de ter me conhecido), era algo que fazia eu tremer só de pensar se alguém soubesse. Era proibido, errado, pecado. O que me ajudou, e muito, foi eu ter conhecido pessoas, que hoje em dia, eu considero para caramba. São mais que amigos, são pessoas em que eu me apoio, que eu torço, que eu conto 110% de mim, e não vejo um olhar de vergonha (exceto, naquelas vezes em que bebo e faço a Tereza Cristina na balada). São pessoas que me ajudam a continuar esse caminho novo, por vezes um pouco difícil, mas na maioria das vezes, divertido. Hoje, eu posso afirmar que estou vivendo minha vida e sendo feliz. Há um longo caminho a percorrer, mas sei que com eles, tudo vai dar certo.
A produção tá pedindo pra eu fazer minha saída, então vamos lá!
Esse blog veio pra mostrar um pequeno pedaço das nossas vidas, nesse mundo colorido. Mas não será só Queer as folk, minha gente. Queremos trazer assuntos que interessem nós mesmos. Algo que vimos e achamos legal de mostrar pra vocês. Queremos que vocês mostrem o lado de vocês também, o lado bom e ruim. Todos nós aqui estamos pra aprender e o blog é uma forma de conectar, de juntar e fazer um mix de experiências, idéias e opiniões. Desculpa aí se prolonguei demais, mas o primeiro post tinha que ser um ahazzo.
See ya!
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